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CLUBE UNIÃO
MICAELENSE
(retirado do discurso de Jorge do Nascimento Cabral aquando
da comemoração dos 75 anos do clube)
O Clube União Micaelense
assinala hoje (então) as suas “Bodas de Diamante”.
São setenta e cinco anos ao serviço da terra, do
desporto, da educação cívica e como componente do dinamismo de uma sociedade
que herdou dos seus maiores a capacidade de se associar; de em conjunto,
promover iniciativas que, ao longo de três lustres, tão bem marcaram a
comunidade Micaelense.
Foram 75 anos de alegrias e de
tristezas; de lutas e de desenganos; de dificuldades tamanhas que só o amor a
um clube que sempre arrastou multidões, permitiu ultrapassar…
Foram 75 anos onde o Clube União
Micaelense influenciou a sociedade insular de forma indelével, deixando bem
clara a marca da sua impressão digital, em tantas iniciativas, contribuindo,
sem sombra de duvida, para que a colectividade preenchesse as suas horas de
lazer em actividades subordinadas ao velho principio “mens sana in corpo
sano”.
E aqui estamos nós, 75 anos
depois, a assinalar com orgulho, sob a égide de uma equipa directiva jovem e
dinâmica, uma vida inteiramente devotada ao serviço da animação colectiva.
Ainda há dias estivemos juntos
das campas de nomes sonantes que tanto deram, e tanto foi, à vida e à obra do
Clube União Micaelense .
Lá depositamos flores naturais
da nossa terra; recolhemo-nos em silenciosa oração e elevamos o nosso espirito
até junto de alguns que faziam do nosso Clube também um objectivo na vida.
Paz às suas almas.
Falar do que representaram 75
anos da vida de um Clube e de uma
sociedade, não é fácil. Não é nada fácil. Por isso, o que vou expor, pode
equacionar-se no titulo genérico de “Subsídios para a História do Clube União
Micaelense “
É porque 75 anos de contínua
actividade nos campos desportivos, social e cultural, não podem ser
integralmente reproduzidos num discurso a proferir numa sessão solene
comemorativa duma efeméride rica de acontecimentos e de tamanha importância.
A outros, mais disponíveis e
melhor credenciados, é que deverão levar a cabo a tarefa de registar para a
prosperidade toda a história do Clube União Micaelense ; a sua obra, as suas
iniciativas, as suas vitórias que levantaram uma ilha inteira, a sua contribuição
para a caracterização de uma sociedade, elevando-o a um justo lugar de
prestigio.
Há aspectos do movimento
associativo açoriano que o grande público geralmente desconhece.
Elementos fornecidos pelo
investigador e professor Luciano Mota Vieira, aponta como um dos exemplos o
Ateneu Comercial, que em 1980 comemorou os 75 anos de existência, e que herdou
o volumoso e bem elaborado livro de actas duma sociedade de promoção cultural
que o precedeu.
A “Associação de Socorros Mútuos
União e Trabalho”, hoje com sede num primeiro andar da Rua D’Água foi, no
começo deste século, um organismo incentivador da instrução pública, que
criou escolas, sendo uma delas na Vila da Lagoa.
A Sociedade Promotora de Instrução
e Recreio, que teve existência centenária, extinta nos últimos anos 40 do
presente século, na casa da esquina da rua Machado dos Santos com a rua Hintze
Ribeiro, que é hoje sede do Micaelense Futebol Clube, rivalizou no século 19
com o Clube Micaelense. Nas sua sessões e festas compareciam as pessoas mais
ilustradas, inclusivamente o Governador Civil do então Distrito de Ponta
Delgada.
No mesmo Ateneu Comercial
funcionou uma Associação Auxiliadora do Ensino Industrial e Comercial,
ensinando a sério, com professores como António Maria Lopes na Língua
Portuguesa e Urbano de Arruda Carreiro na Contabilidade. Importantíssimo foi o
Curso Comercial da Associação dos Empregados do Comércio e Industria do
Distrito Oriental dos Açores, hoje sindicato dos Profissionais de Escritório e
vendas, curso que cessou nos primeiros anos 40, quando a Escola Industrial e
Comercial começou a funcionar em pleno, sob o impulso do Governador Rafael Sérgio
Vieira, no Solar Jácome Correia, na Rua do
Mercado, onde hoje está a Escola Preparatória Roberto Ivens. Mas no começo do
presente século avultou a Liga Micaelense de Instrução Pública, que teve
como notável incentivador Aires Jácome Correia, Marquês de Jácome Correia,
cujo primeiro centenário do nascimento, em 1982, passou quase despercebido, mas
honrosamente lembrado nas actas do Instituto Cultural de Ponta Delgada. Uma das
suas iniciativas, por ele generosamente financiada, foi a Escola Industrial de
Rendas de Bilro que sobreviveu, com grande aceitação da juventude feminina, na
velha rua do Brum, até ao final da década
de 30.
Também por este tempo –
estamos a referir-nos especialmente aos fins de 1911 e começos de 1912 –
persistia a Sociedade Promotora de Agricultura Micaelense, com reuniões no edifício
da Alameda Duque de Bragança, que é, desde há mais de cinquenta anos, sede do
Observatório Meteorológico Afonso Chaves, integrado no Serviço de
Meteorologia Nacional, hoje denominado Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica.
Esta Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, datando de
1843, a primeira que houve em Portugal, tinha o seu jardim agrícola, que
depois pertenceu a João Augusto
carreiro de Mendonça, na rua da Canada, hoje Rua do “Diário dos Açores”,
na área que é agora ocupada pelo
grande imóvel do Banco Comercial dos Açores.
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